quarta-feira , 28 junho 2017

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Rondônia concentra o maior número de assassinatos e de presos

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No ano de 2016 ocorreram 61 assassinatos em conflitos no campo no país, uma média de cinco assassinatos por mês, segundo os dados divulgados ontem (17) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). A Amazônia Legal, que compreende todos os estados da região Norte mais partes do Maranhão e Mato Grosso, concentrou 79% dos casos.

A região concentrou ainda 68% das tentativas de assassinato, 50 das 74; 391 das 571 agressões físicas, e 171 das 200 ameaças de morte, 86% e 192 das 228 pessoas presas.

O estado de Rondônia, além de concentrar o maior número de assassinatos e de presos, foi o segundo estado com o maior número de agredidos (141 de um total de 571), o segundo estado com mais ameaças de morte (40 de 200) e, junto com o Mato Grosso do Sul, foi o terceiro estado com mais tentativas de assassinato (10).

A CPT realiza o monitoramento dos conflitos agrários no país há 25 anos e somente o ano de 2003, quando foram registrados 73 assassinatos, foi tão violento quanto 2016. Todos os índices tiveram pioras

AMAZONAS

Altamiro Ferreira Pinto e Josué Gomes Pinto – Posseiros: Pai e filho morreram eletrocutados em uma rede clandestina de energia instalada por um madeireiro da região que, desde 2008, ameaça as famílias da Comunidade Terra Santa, destrói suas casas, impede que sejam beneficiadas pelo programa Luz para Todos e depreda a floresta.

MARANHÃO

Roni dos Santos Miranda – 27 anos – Sindicalista: Assassinado a tiros por dois homens não identificados.  Roni atuava “na luta por uma sociedade justa, com prevalência dos direitos e o acesso à terra”.

Aponuyre Guajajara – 16 anos – 26/03/2016; Genésio Guajajara – 30 anos – 11/04/2016; Isaías Guajajara – 32 anos – 19/04/2016 – Indígenas; Assis Guajajara – 43 anos – 22/04/2016 – Liderança Indígena: Assassinados no contexto da resistência indígena contra a ação de madeireiros na TI Arariboia.  Os Guajajara criaram, em 2008, um grupo de proteção da área, conhecido como “o Grupo dos Guardiões”, que fazia a fiscalização de seu território buscando coibir as invasões e a extração ilegal de madeira.  A atuação destes Guardiões incomodou grupos econômicos poderosos na região que tendo a extração ilegal dificultada, passaram a agir com represálias contra os indígenas.

Candide Zaraky Tenetehar – 22 anos – Indígena: Morreu por atropelamento.  Um caminhão carregado de madeira o atingiu estando ele parado sobre a moto e fora da rota do caminhão.  O motorista fugiu do local sem prestar socorro.  Os Indígenas da TI Arariboia entendem o atropelamento como crime em represália às ações que fazem em seu território, contra a invasão de madeireiros ilegais.

José Dias de Oliveira Lopes Guajajara – Liderança Indígena: Assassinado no dia 12/11/2016.  O corpo só foi encontrado dia 21/11/2016, no rio Mearim, com sinais de espancamento e mutilação.  Os indígenas acreditam “que o homicídio se deve a um antigo conflito pela disputa de uma faixa de terra dentro da TI Bacurizinho, que um cidadão de Grajaú diz lhe pertencer”.  Este já teve negados, na comarca local, vários pedidos de reconhecimento da área como sua.

José Queirós Guajajara – 45 anos – Liderança Indígena: atuava em defesa do território indígena Guajajara, contra a retirada ilegal de madeira.  Foi encontrado morto em um açude perto da Aldeia Nova; açude que se localiza na TI Cana Brava em uma área em disputa com um fazendeiro.  Este havia instalado rede elétrica no açude.  A família tem convicção de que José morreu eletrocutado.

Cacique José Colírio Oliveira Guajajara – Liderança Indígena: Assassinado a tiros, na frente da família.  Crime com característica de pistolagem.  Era a principal liderança da aldeia Travessia contra a ação de invasores no local.

Francisca das Chagas Silva – Sindicalista: Quilombola e dirigente do STTR de Miranda do Norte.  Encontrada morta em uma poça de lama.  O corpo estava nu, com sinais de estupro, estrangulamento e perfurações.  Entidades e movimentos sociais do campo reconhecem que Francisca foi morta por sua luta por uma vida mais digna para milhares de trabalhadoras/es do campo e das florestas.

Zé Sapo – Quilombola: Assassinado em uma área de conflito por terra que se arrasta há mais de sete anos na Comunidade Cruzeiro/Triângulo.  As famílias quilombolas que lutam pelo seu território têm sofrido atos de violência física e psicológica praticados por fazendeiros, pistoleiros, vereadores, policiais civis e militares.

José Lisboa, “Zezinho Lisboa” – Posseiro: Crime relacionado à luta das famílias do Povoado Baixa Funda pela regularização de suas posses tradicionalmente ocupadas.  Há anos as famílias reivindicam a regularização da área ao Iterma, pois grileiros que atuam na região limitam o exercício de posse das mesmas, proibindo-as de cultivar suas roças no local.

Fernando Gamela – 22 anos – Indígena: Crime relacionado à luta do povo Gamela pelo reconhecimento e defesa de seu território na Baixada Maranhense e contra a invasão de madeireiros interessados na exploração dos territórios tradicionais indígenas.

MATO GROSSO

Antônio José Raimundo dos Santos -Liderança: Assassinado no local onde morava (Acamp.  Nova Esperança V).  Após o assassinato teve o barraco incendiado.  A polícia trabalha com a hipótese de que o incêndio foi para ocultar pistas do homicídio e que o crime foi praticado por acampados para roubo de alimentos.  As famílias contestam essa versão.  Atribuem o assassinato à disputa pela posse da fazenda Vovó Amélia.

Valdomiro Lopes de Lorena -56 anos- Sem–terra: Assassinado a tiros por pistoleiros, por causa de disputa da posse das fazendas Acaraí e Matrinchã/Gleba Japuranã, pretendidas pelo proprietário de uma madeireira na região.  Há 11 anos cerca de 43 famílias reivindicam o assentamento no local, para terem direito à terra em que vivem e produzem.

PARÁ

Marrone -16 anos- Sem–terra; Titela – Sem-Terra: Assassinados por pistoleiros quando trabalhavam com outros camponeses na colheita de arroz na Gleba Bacajá, região conhecida como Mata Preta (lotes 68, 69, 71 e 73).  Os trabalhadores foram atacados por dez homens armados e encapuzados.  Além dos dois mortos, outros três trabalhadores foram atingidos.

João Luiz de Maria Pereira – 44 anos – Funcionário Público: Assassinado em emboscada na Flona Jamanxim, quando acompanhava agentes do Ibama na Operação Onda Verde, que combate a exploração ilegal de madeira em áreas da Amazônia.  Horas antes do crime, a equipe havia desmontado um acampamento clandestino usado para desmatamento ilegal.

Adoaldo Rodrigues Barbosa – 43 anos- Sem–terra: Assassinado por pistoleiros.  Em julho/2016 havia denunciado à Secretaria de Segurança Pública e à Delegacia de Polícia de Santana do Araguaia as constantes ameaças de morte que as 200 famílias acampadas em parte da fazenda Vale do Rio Cristalino estavam sofrendo.

Luiz Antônio Bonfim – 45 anos – Liderança: Assassinado a tiros por dois pistoleiros.  Era presidente do PcdoB e também estava à frente de uma ocupação de trabalhadores sem-terra na fazenda Tabocão.  Defendia a desapropriação de áreas para reforma agrária na região.

Ronair José de Lima – 41 anos – Liderança: Assassinado a tiros em emboscada.  Já havia sido ameaçado de morte em 2015 e fora vítima de tentativa de homicídio no dia 27/02/2016.  Liderava a luta para o assentamento das famílias sem-terra acampadas há mais de 10 anos em área do Complexo Divino Pai Eterno, terra da União grilada por fazendeiros.  A CPT/PA e a Fetagri haviam solicitado, sem sucesso, a inclusão do Ronair e família no programa de proteção aos defensores dos direitos humanos.

RONDÔNIA

Isaque Dias Ferreira, “Paulo” – 34 anos; Edilene Mateus Porto, “Edilena” – 32 anos – Lideranças: Casal assassinado a tiros perto do acampamento 10 de Maio, local em que moravam.  Já haviam recebido ameaças de morte.  Ambos denunciavam aos órgãos públicos as arbitrariedades cometidas por um grileiro com posse irregular da fazenda Formosa e que o mesmo se utilizava dos serviços de policiais militares para garantir “a proteção” da área.

Vanderlei Domingues Rodrigues, “Nem”– 27 anos – Sem–terra: Assassinado a tiros no Acampamento 10 de Maio/Fazenda Formosa.

Antônio Bento Cardoso Júnior, “Toizinho” -22 anos; Milton Rodrigues – Sem-Terra: Assassinados a tiros no Acampamento 10 de Maio/fazenda Formosa.

Luís Carlos da Silva – 25 anos – Liderança; Cleidiane Alves Teodoro – 14 anos – Sem–terra: Os corpos do casal de Luís Carlos e Cleidiane forma encontrados boiando, no rio Candeias, região do Vale do Jamari, em Buritis.  Luís Carlos era liderança do acampamento situado na fazenda Fluminense, em Monte Negro.

Nivaldo Batista Cordeiro e Jesser Batista Cordeiro – Sem–terra: Os irmãos Nivaldo Batista Cordeiro e Jesser Batista Cordeiro foram assassinados a tiros perto do Acampamento 10 de Maio, onde moravam.  Ambos haviam recebido ameaças de morte de um latifundiário da região, que afirmara várias vezes que iria matar todos os sem-terra antigos do acampamento.

José Cândido Lopes Filho, “Zé Barba” – 63 anos – Pequeno proprietário: Assassinado a tiros na Linha Pé de Galinha, zona rural de Buritis.  Camponeses da região atribuem o crime ao

Geraldo de Campos Bandeira – 40 anos – Sem–terra: Assassinado a tiros na Linha 34, zona rural de Buritis.  Militantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) relatam aos representantes do Conselho Nacional dos Direitos Humanos que o homicídio decorre de conflito agrário relacionado à fazenda Padre Cícero, em Monte Verde.

Alysson Henrique Lopes -23 anos e Ruan Hildebran Aguiar -18 anos-Sem-terra: Inicialmente tidos como desaparecidos, após ofensiva de pistoleiros no dia 31/01/2016, contra famílias que lutam pelo assentamento na fazenda Tucumã/Linha C-114. No dia 01/02/2016 a polícia localizou um corpo carbonizado dentro de um carro Santana, na região de Cujubim. Os acampados suspeitaram que o corpo fosse de um dos jovens desaparecidos. Tempos depois, no dia 10 de março de 2016, durante reunião da Comissão de Combate à Violência no Campo, na sede do Incra, em Porto Velho, uma trabalhadora rural relatou que Ruan e Allysson foram assassinados durante a ação dos pistoleiros.

Cleverson Carneiro-27 anos-Trabalhador Rural: Espancado e estrangulado pelo patrão na frente dos filhos, um de 4 e outro de 2 anos.  Assassinado porque acordou um pouco mais tarde para tirar o leite, pois dormiu mal à noite, por causa de dor de dente.  Mesmo tendo “perdido a hora”, Cleverson conseguiu tirar todo o leite.  Porém, preocupado com os bezerros, o patrão iniciou um processo de agressão à vítima que resultou no homicídio por estrangulamento.

Enilson Ribeiro dos Santos-27 anos; Valdiro Chagas de Moura-Lideranças: Lideranças do Acampamento Paulo Justino, vinculados à LCP.  Assassinados a tiros na cidade de Jaru, após intensa perseguição feita por pistoleiros supostamente contratados pelo pretenso proprietário da fazenda Santo Antônio, local em que se encontra o referido acampamento.  Trata-se de área reivindicada para a reforma agrária, por um grupo de famílias sem-terra.

Avildes Alves Pereira-39 anos-Posseiro: Assassinado a tiros, por dois homens desconhecidos, no local em que morava (TD Urupá, região Galo Velho, Linha TB 13), em Machadinho do Oeste.  Trata-se de uma área antiga em conflito.  No momento do crime, o filho da vítima também foi alvejado com 4 tiros ao tentar defender o pai, porém não veio a óbito, ao contrário de Avildes.  Crime relacionado a conflitos agrários, no contexto da grilagem de terras da Amazônia e retirada ilegal de madeira.

Luciano Ferreira de Andrade-41 anos-Liderança: Assassinado a tiros no centro da cidade de Mirante da Serra. Crime com característica de pistolagem. Luciano pertencia ao Grupo Gedeão e liderava ocupações de terras na região do Vale do Jamari. Atuava junto às famílias que lutam pela desapropriação da fazenda Fluminense, em Monte Negro.

Nilce de Souza Magalhães, “Nicinha” -58 anos-Liderança: Denunciava as violações de direitos humanos cometidas pelo consórcio responsável pelas hidrelétricas do rio Madeira.  Desapareceu no dia 07/01/2016, no acampamento em que morava com outras famílias, nas imediações do referido rio.  Suspeita-se que a morte da liderança esteja relacionada à sua militância em defesa de direitos das famílias atingidas por barragens.  Suspeita-se ainda que a pessoa que a matou recebeu ajuda para o homicídio e a ocultação do cadáver. O corpo de Nicinha foi encontrado no dia 21/06/2016, no lago da UHE de Jirau, amarrado a uma pedra, com as mãos e os pés atados.

Sebastião Pereira dos Santos – 39 anos – Sem–terra: Assassinado a tiros, diante da esposa, em emboscada. Integrante do acampamento Jhone Santos do Oliveira, da LCP, em Ji-Paraná, junto com outras famílias lutava pela desapropriação da fazenda Amaralina. A esposa diz que quem atirava dizia: “Nós avisamos que iríamos matar um a um”. Já recebera ameaça de morte.

RORAIMA

Geraldo Lucas – 65 anos- Sem–terra: Assassinado a golpes de enxada em sua residência.  Crime relacionado ao contexto de conflito agrário que envolve a disputa das terras do Acampamento Frutos da Terra por parte das famílias acampadas no local, que reivindicam a área para a reforma agrária e um cidadão Guianense, autor de um pedido de reintegração de posse contra as famílias.

TOCANTINS

Genivaldo Braz do Nascimento, “Ninja”– 36 anos-Liderança: Assassinado enquanto dormia.  Genivaldo notificou, em boletins de ocorrência policial, três ameaças de morte contra ele nos últimos tempos, a mais recente em 09/01/16, feita por um policial militar da reserva.  Em 22/01/16, a vítima e outras 14 famílias foram expulsas da Faz.  Pinheiro/Loteamento Caju Manso/Lote 2/Comunidade Gurgueia, pelo referido policial, porém reocuparam a propriedade.  A área é demandada por uma fazendeira que se diz dona da terra, a qual ajuizou ação de reintegração de posse desfavorável às famílias que se mobilizam para criarem no local a Associação da Comunidade Gurgueia.

Casimiro Batista de Oliveira – 52 anos – Assentado: Assassinado a tiros, quando chegava com a família em seu lote no assentamento Zé Pereira.  De acordo com informações de um servidor do Incra, o crime estaria relacionado ao comércio ilegal de terras no interior do assentamento.

Luís Jorge de Araújo-56 anos –Liderança: Assassinado por pistoleiros com um tiro no tórax, no Acampamento Boqueirão, onde morava.  Havia recebido ameaças de morte por causa da luta pela desapropriação da fazenda Boqueirão, imóvel da União, porém demandado por um fazendeiro da região.

Autor / Fonte: Amazônia.org.br / Com informações da CPT

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