quarta-feira , 16 agosto 2017

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Procura faz maconha sumir de farmácias do Uruguai

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Em quase dez dias de venda de maconha em farmácias no Uruguai, o número de interessados inscritos no país aumentou em mais de 75%: passou de 4.893 (em 19 de julho, início da atividade) para 8.585, registrados na última sexta-feira (28).

Esse montante já supera o de autocultivadores (pessoas que têm autorização para plantar cannabis em casa): 6.946, segundo dados do Ircca (Instituto de Regulação e Controle da Cannabis), órgão governamental responsável pelo sistema.

Após a entrega inicial, os estoques de maconha das farmácias de Montevidéu se esgotaram no mesmo dia, e um novo lote foi entregue após cinco dias. Novamente a demanda foi maior do que a oferta, e uma terceira leva foi planejada pelo governo três dias mais tarde.

Na manhã da última quinta-feira (27) estava prevista a chegada de novos lotes.

Mas na farmácia Antártida, que fica a apenas dois quarteirões e meio da Prefeitura de Montevidéu, no centro da capital “uma das quatro que aderiram ao sistema–, reinava o vazio: só havia as três funcionárias do local, que aproveitavam a calma para limpar vidraças e arrumar as bijuterias expostas em uma das prateleiras.”

“Estamos esperando”, limitaram-se a comentar. “De cada 10 ligações que recebemos, 9 são para saber se já temos maconha de novo”, contou à Folha a funcionária de outra farmácia da capital, que não quis se identificar.

Até o final da tarde da última sexta (29), a reposição ainda não havia sido feita.

A frequência irregular de distribuição deve permanecer até que o instituto termine as primeiras avaliações do processo, no que vem chamando de “curva de aprendizagem”, e introduza no mercado outras quatro variedades com THC (componente psicoativo da maconha) mais alto, de até 4%, e um maior número de estabelecimentos associados.

PROCESSO

Em Montevidéu, há cerca de 380 farmácias, segundo o Centro de Farmácias do Uruguai. Desse total, apenas quatro aderiram ao plano do governo. Os estabelecimentos vendem duas variedades de flores de maconha em estado natural, embaladas em pacotes de 5 gramas (leia mais no quadro ao lado).

Atualmente duas empresas cultivam a planta no país e têm capacidade de produzir quatro toneladas anuais para consumo interno.

A iniciativa é a terceira e última etapa da política de estatização da produção, venda e distribuição de maconha, iniciada com o ex-presidente José Mujica, em 2013.

A primeira fase começou com a liberação do autocultivo. Depois, veio a regularização dos clubes de cannabis, onde até 45 pessoas podem se reunir para cultivar e compartilhar a droga. Estima-se que 160 mil uruguaios consumam maconha.

Fonte: Folha de São Paulo

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