segunda-feira , 18 dezembro 2017

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Ossos quebrados e adrenalina: os prazeres e desafios dos praticantes de motocross em Vilhena

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Aqueles que têm a coragem e o prazer para a prática do motocross na cidade estão crescendo em número. O esporte radical ganha adeptos com a popularização de competições, campeões e pilotos profissionais na cidade. Ainda que as glórias sejam comemoradas por plateias lotadas e vibrantes, as quedas amargam cicatrizes em todos que se divertem em altas velocidades pelas rampas e curvas das pistas.

Leonardo Atílio é um dos destaques do esporte em Vilhena, tendo ganho diversas competições no estado vizinho, Mato Grosso (MT). “Pratico o esporte há sete anos. Comecei a pegar gosto pelo motocross vendo meu pai e meu irmão correndo. Foi meu pai que me deu a primeira moto a partir daí fui treinando como diversão, mas com o tempo passei a levar a sério”, relembra.

Os títulos de “Léo” no MT são relevantes: foi ganhador da categoria “Novatos”, em 2013, das categorias MX-Júnior Importada e MX-PRO Importada, em 2015, e neste ano foi campeão da categoria MX-Intermediária Importada. “O medo é constante. Mas isso só até pegar certa confiança a partir dos treinos. Já me machuquei diversas vezes. Em 2012 fraturei o rádio direito, 45 dias depois fraturei o úmero direito. Em 2013 fraturei o cotovelo esquerdo. O último acidente, em 2016, foi o pior: fraturei a tíbia e a fíbula direita enquanto era líder do mato-grossense na MX-PRO. Minha perna quebrou igual à do Anderson Silva”, conta.

MUITA GRANA

Em Vilhena há cerca de 30 pilotos que correm com frequência e investem no esporte. A prática exige bastante disposição em gastar dos pilotos: transporte, hotel, alimentação, inscrição, combustível, filiação, além da manutenção da moto com pneus novos, equipamentos de segurança e troca de peças.

Um dos que já desembolsou boas quantias no esporte é o piloto Thiago Marques, o “Churru”. “Não sei quanto já gastei, mas acredito que já some uns R$ 25 mil, entre tudo. Mas é algo que gosto de fazer. Pratico o esporte há pelo menos seis anos e me faz sentir bem: a emoção de acelerar forte e saltar nas pistas é o que me faz gostar do esporte”, explica. “Churru” já ficou em 5° no campeonato estadual mato-grossense e viveu as glórias das competições, mas também teve suas quedas. Durante uma corrida Thiago quebrou uma das pernas.

O piloto Pedro Henrique Tozzo já corre em pistas de motocross desde 2009, por influência dos amigos. De lá pra cá se tornou vice-campeão de Rondônia e Mato Grosso. “A sensação de você ‘Emendar uma rampa’, ou seja, pular ela do início ao fim, é muito boa. É incrível, não tem como descrever a sensação de liberdade”, descreve.

Ainda que tenha tido vários tombos, Pedro se machucou gravemente uma única vez. No Mato Grosso, durante um campeonato, Tozzo desmaiou em cima da moto durante uma curva, saiu da pista e sofreu vários arranhões. Uma infecção intestinal que o havia feito perder 8 quilos em dias anteriores e o calor do dia cobraram o preço. “O mais grave, no entanto, foi outro acidente, em 2014, que sofri em Espigão do Oeste. Acabei entrando numa rampa de forma errada, perdi o controle, caí e quebrei o ombro, a cabeça do úmero. Fiquei quase todo o ano fora das pistas. Voltei a correr em 2016, mas caí novamente sobre o ombro. Desde então estou afastado na expectativa de recuperar ele bem”, recorda.

Tozzo admite que o hobby exige investimento alto. Motos importadas, por exemplo, custam, em média, R$ 40 mil. Equipamentos de segurança, somam entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. A maioria das corridas têm premiações, mas os valores distribuídos servem apenas como ajuda de custo para as despesas básicas. “Em Vilhena temos a Associação de Motociclismo Amador de Vilhena, AMA. Fui presidente da entidade e já chegamos a ter 65 associados. Tem três ou quatro pistas na cidade e sempre tem gente treinando”, analisa.

A OPINIÃO DA FAMÍLIA

Os três entrevistados contam com apoio da família e amigos para continuarem no esporte radical. “Apesar dos perigos a maioria dos meus amigos também está envolvida com o esporte. É claro que minha família manda eu tomar cuidado, e é o que faço sempre que tiro os fins de semana para correr”, assegura Thiago “Churru”.

“Léo” tem o mesmo suporte familiar e recebe apoio do pai e irmão que fazem até mesmo parte da torcida nas competições. “Minha mãe sempre tem aquele medo, mas gosta por eu estar praticando esporte. Além disso, graças a Deus, conheci minha namorada pelo motocross. Até meus cunhados são pilotos. Tenho muita sorte por contar com apoio dela para continuar como piloto”, completa.

Tozzo teve incentivo da mãe, até mesmo com ajuda nas despesas de viagem. “Minha esposa vai até nas pistas, grita, torce, o que faz a prática ficar ainda mais gratificante”, revela.

 

FONTE: Vilhena Notícias

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